UTRICULARIA (Lentibulariaceae)
"Boca-de-Leão do banhado"

Centenas de espécies espalhadas pelo mundo inteiro fazem parte desse gênero. Normalmente, são classificadas como pertencentes à um dos seguintes grupos:

(1) terrestres,
(2) epífitas (crescem geralmente sobre galhos de árvores ou arbustos, e, algumas, dentro de bromélias),
(3) aquáticas afixadas (aquáticas, mas presas ao solo abaixo da água),
(4) aquáticas flutuantes (não presas à nenhum tipo de solo) e
(5) reofíticas (crescem sobre pedras de riachos, debaixo da água corrente).

Se bem que nem sempre se é possível classificar todas as espécies com exatidão, pois muitas são encontradas crescendo em condições de terrestres (sobre solo úmido) e também de aquáticas (mergulhadas, sob o nível da água).

Diferentemente da maioria dos gêneros de plantas carnívoras, as espécies deste (e também do gênero Genlisea) têm suas armadilhas escondidas, subterrâneas (no caso de terrestres). Talvez este seja um motivo do interesse por essas específicas plantas não ser tão grande quando comparado, por exemplo, à plantas dos gêneros Drosera e Nepenthes, que têm belas e bem aparentes armadilhas).

A beleza dessas plantas está nas flores, quase sempre minúsculas, produzidas sobre altas (em comparação com as folhas) hastes florais (mais de uma flor por haste).

Diferentemente das flores mais comuns, as deste gênero são zigomorfas. O cálice é formado por apenas duas sépalas; a corola é formada por dois labelos (pétalas fundidas) e a espora (um prolongamento do labelo inferior, em forma de chifre). A espora tem a função de armazenar o néctar para atrair agentes polinizadores (insetos). Eles precisam separar os dois labelos (normalmente usando o peso do corpo sobre o labelo inferior, baixando-o) para enfiar a cabeça ou língua dentro e então chupar o néctar.

     Flor vista de lado

Flor vista de lado
(no caso, de uma U. longifolia)

As flores de algumas espécies (por exemplo, U. longifolia, U. reniformis, etc.) lembram (no formato) as flores da popular "boca de leão".

Forma de crescimento de uma espécie terrestre

Forma de crescimento de uma espécie terrestre
(no caso, a U. longifolia)
    

As folhas, geralmente muitas e diminutas, confundem-se com o mato ao redor. As espécies deste gênero não possuem raízes, mas sim estolhos (caules rente ao solo ou subterrâneos), rizóides (filamentos semelhantes à raízes, presentes normalmente apenas na base das hastes florais) e vesículas (folhas modificadas, as armadilhas propriamente ditas). As plantas se fixam ao solo ou substrato (se terrestre, epífita ou aquática afixada) através dos rizóides e estolhos.


As armadilhas são basicamente pequenas vesículas (bolsas) subterrâneas (ou submersas, no caso de espécies aquáticas), com uma "porta" e gatilhos e pêlos em seu exterior. Elas funcionam da seguinte forma: a presa inicialmente é incentivada por numerosos pêlos ramificados a nadar em direção aos gatilhos, ela encosta num deles, então subitamente é aberta a porta que dá acesso ao interior da vesícula. Como havia vácuo no interior desta, água próxima à entrada (e tudo o mais que estiver perto, incluindo a presa) é puxada para dentro numa velocidade incrivelmente rápida (maior que a velocidade do fechamento dos lóbulos da Dionaea). Tendo a vesícula ficado cheia de água, a "porta" é fechada. Tem início então a digestão, após a qual a vesícula será esvaziada para que possa voltar a capturar presas (note que é necessário que haja água em redor da vesícula, assim, as espécies terrestres necessitam de solo literalmente encharcado).

     Armadilha

Armadilha

CULTIVO

Proteja de luz solar direta, mantenha o substrato encharcado (quanto às espécies aquáticas, melhor é cultivá-las em lagos ou aquários). A alimentação não é um problema, já que no substrato convencional (xaxim, sfagnum, etc.) existem micro-organismos que servem de alimento às plantas. Mantenha as espécies tuberosas (a maioria destas é epífita) e as de clima frio (do hemisfério norte) secas no período de dormência. Note também que muitas espécies, entre as quais boa parte das brasileiras, são anuais.

A propagação pode ser realizada por sementes, ou simplesmente dividindo a planta (no caso das terrestres, divida o torrão do substrato).

Uma praga que pode atacar espécimes deste gênero são os pulgões (eles ficam na superfície inferior das folhas). Um modo de combatê-los é deixar a planta infectada imersa em água por horas ou até dias, algo que não causa danos à elas. Por outro lado, não toleram inseticidas muito bem.




SEÇÕES

De acordo com a monografia de Peter Taylor, o gênero Utricularia é dividido nas seções:

Aranella
Australes
Avesicaria
Avesicarioides
Benjaminia
Calpidisca
Candollea
Chelidon
Choristothecae
Enskide
Foliosa
Iperua
Kamienskia
Lecticula
Lloydia
Martinia
Meionula
Mirabiles
Nelipus
Nigrescentes
Oligocista
Oliveria
Orchidioides
Pleiochasia
Phyllaria
Polypompholyx
Psyllosperma
Setiscapella
Sprucea
Steyermarkia
Stomoisia
Stylotheca
Tridentaria
Utricularia
Vesiculina



ESPÉCIES

Abaixo estão listadas todas as espécies nativas do Brasil, além de outras não brasileiras para as quais temos fotos:

U. adpressa
U. alpina
U. amethystina
U. arenaria
U. aurea
U. benjaminiana
U. bifida
U. biovularioides
U. blanchetii
U. breviscapa
U. caerulea
U. calycifida
U. campbelliana
U. sp. "Caraça"
U. costata
U. cucullata
U. erectiflora
U. flaccida
U. foliosa
U. geminiloba
U. gibba
U. graminifolia
U. guyanensis
U. hispida
U. humboldtii
U. huntii
U. hydrocarpa
U. jamesoniana
U. juncea
U. laciniata
U. laxa
U. lloydii
U. longeciliata
U. longifolia
U. meyeri
U. myriocista
U. nana
U. naviculata
U. nelumbifolia
U. neottioides
U. nephrophylla
U. nervosa
U. nigrescens
U. olivacea
U. oliveriana
U. parthenopipes
U. physoceras
U. platensis
U. poconensis
U. praelonga
U. praeterita
U. pubescens
U. purpureocaerulea
U. pusilla
U. quelchii
U. reniformis
U. sandersonii
U. sandwithii
U. simulans
U. spruceana
U. striatula
U. subulata
U. tenuissima
U. trichophylla
U. tricolor
U. tridentata
U. triloba
U. uliginosa
U. sp. "Veadeiros"
U. viscosa
U. warmingii


HÍBRIDOS

U. praelonga X U. hispida